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II SELTE: Inovação e inteligência artificial marcam primeiro dia Seminário de Linhas de Transmissão de Energia Elétrica

Brasília – O primeiro dia do II Seminário de Linhas de Transmissão de Energia Elétrica (SELTE) confirmou a expectativa de reunir especialistas, gestores e instituições em torno de debates estratégicos para o futuro da infraestrutura elétrica no Brasil. O evento é uma iniciativa da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica – ABRATE, do Instituto ABRATE de Energia e da ENG Smart Lead.

O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa Neto, destacou que, do Oiapoque ao Chuí, do sertão ao litoral, “a transmissão é o fio que costura a democracia energética do Brasil, e faz isso de forma silenciosa, confiável e estratégica”. “Mais do que transportar energia, o sistema de transmissão carrega esperança, desenvolvimento e soberania nacional. É por meio dele que transformamos vocações regionais em oportunidades nacionais”.

Josias Araújo, CEO da Eng Smart Lead, destacou o propósito do encontro: “O SELTE nasceu para ser um espaço de debate qualificado. Ver pesquisadores, empresas e instituições compartilhando soluções de ponta em novas tecnologias, práticas e processos, além do incremento da Inteligência Artificial, nos mostra que o setor está preparado para os desafios de hoje e do futuro”, disse.

O painel inaugural, dedicado ao estado da arte da inteligência artificial no segmento de linhas de transmissão, mostrou como a combinação de tecnologia e conhecimento está remodelando a forma de planejar, operar e manter ativos críticos do sistema. Apresentações sobre realidade virtual, drones, gêmeos digitais e machine learning confirmaram o avanço de um movimento de transformação digital, com impactos diretos na confiabilidade, segurança e sustentabilidade da rede elétrica brasileira.

Inteligência Artificial transforma a gestão de linhas de transmissão no Brasil

O primeiro painel do II Seminário de Linhas de Transmissão de Energia (SELTE) mostrou como a inteligência artificial, aliada a tecnologias digitais, está redefinindo a forma como o setor elétrico brasileiro lida com inspeção, manutenção e segurança em linhas de transmissão. Sob o tema “Estado da arte da inteligência artificial no segmento de linhas de transmissão”, os especialistas Leandro Henrique (Virtual Engenharia), Ricardo Abdo (Eletrobras) e Douglas Vieira (Enacom/academia) apresentaram cases e tendências que vão desde a realidade virtual aplicada a treinamentos até sistemas avançados de machine learning para previsão de falhas.

Abrindo o painel, Leandro Henrique destacou como a criação de cenários digitais em 3D tem possibilitado simulações de campo mais seguras e eficazes. A chamada “linha de transmissão virtual” permite treinar equipes em inspeções, linha viva, planos de contingência e medições de aterramento, reduzindo riscos e custos. “Os resultados mostram ganhos expressivos em eficiência e qualidade de execução, ao mesmo tempo em que mitigam riscos e modernizam processos de manutenção”, explicou.

Na sequência, Ricardo Abdo apresentou as iniciativas da Eletrobras voltadas à digitalização da gestão de ativos. Ele destacou projetos que utilizam Internet das Coisas, drones, gêmeos digitais e algoritmos de inteligência artificial para otimizar inspeções, reduzir custos e aumentar a segurança operacional. “Estamos falando de antecipar falhas, centralizar informações e usar dados em tempo real para decisões mais assertivas”, afirmou. Entre os destaques, o Projeto Inspetor reúne drones, IA e arquitetura de dados para padronizar inspeções e reduzir a exposição humana a riscos.

Encerrando o painel, o pesquisador Douglas Vieira apresentou avanços acadêmicos e aplicações práticas de IA e machine learning em linhas de transmissão. Com mais de 200 artigos científicos publicados, ele ressaltou a evolução da análise de dados no setor, que hoje permite ir além da manutenção preditiva, avançando para a prognóstica e prescritiva, com múltiplos cenários futuros e avaliação de riscos. “Estamos diante de uma inteligência artificial agentic, capaz de gerar hipóteses, narrativas e apoiar decisões complexas no setor elétrico”, explicou.

Linhas de transmissão precisam se adaptar a novas condições climáticas, apontam especialistas no II SELTE

O segundo painel do II Seminário de Linhas de Transmissão de Energia (SELTE) trouxe à tona a urgência de repensar a infraestrutura do setor elétrico diante da intensificação dos eventos climáticos extremos. Sob o tema “Projetos de linhas de transmissão sob novas condições climáticas”, especialistas debateram desafios jurídicos, impactos ambientais e fundiários, bem como a necessidade de inovação tecnológica para garantir a resiliência do sistema.

Andrei Braga Mendes, gerente da área jurídica da Eletrobras, destacou como queimadas, vendavais e inundações recentes expuseram vulnerabilidades estruturais do Sistema Interligado Nacional (SIN). Ele alertou que muitas linhas foram projetadas para climas já ultrapassados. Segundo Mendes, a adaptação passa por revisão de normas técnicas, critérios climáticos em licitações, planejamento com dados meteorológicos e segurança jurídica para investidores. “A transmissão é indispensável para a transição energética. Antecipar riscos e criar um marco jurídico sólido são passos essenciais para que os projetos avancem de forma sustentável e resiliente”, afirmou.

Na sequência, João Nolasco apresentou uma reflexão sobre os limites do atual modelo de desenvolvimento frente à crise climática. Ele destacou que 75% das emissões globais ainda vêm do uso de combustíveis fósseis e lembrou que o Brasil figura entre os dez maiores emissores do mundo, com o desmatamento respondendo por quase metade de suas emissões. Nolasco alertou que o setor de transmissão também precisa enfrentar a questão de sua pegada de carbono, já que a maior parte das emissões associadas ao ciclo de vida de uma linha ocorre na extração e produção de materiais como aço e alumínio. “Mais do que tecnologia, precisamos de uma mudança de valores e de sentido coletivo, se quisermos de fato enfrentar a crise climática”, reforçou.

Encerrando o painel, Ceres Cavalcanti, especialista em estudos de futuro e economia de baixo carbono, apresentou dados recentes da EPE e do IPCC que confirmam o aumento da frequência de desligamentos de linhas de transmissão causados por fatores climáticos — saltando de 32% em 2024 para 39% em 2025. Entre as medidas de adaptação, ela citou novos critérios de confiabilidade para projetos, desenvolvimento de materiais mais resistentes, ajustes em leilões de transmissão e maior integração de pesquisas e investimentos em P&D. “Os eventos climáticos já não são uma possibilidade futura, são uma realidade. Isso exige inovação contínua e integração entre planejamento, operação e políticas públicas”, destacou.

Tecnologias de recapacitação e novos traçados prometem transformar a transmissão de energia

O terceiro painel do II Seminário de Linhas de Transmissão de Energia (SELTE) mostrou como a inovação tecnológica tem se tornado a principal resposta aos desafios de expansão e modernização da malha elétrica brasileira. Sob o tema “Novas tecnologias em recapacitação e traçados de linhas de transmissão”, foram apresentadas soluções que combinam eficiência, sustentabilidade e rapidez na execução de projetos.

O primeiro a se apresentar foi Marcos Fernandes, da Shemar Holding, que destacou soluções para recapacitação de linhas vivas sem a necessidade de novas obras civis ou de grandes processos de licenciamento ambiental. Ele defendeu o uso das cruzetas CICA, alternativa de menor custo e impacto que permite aumentar a capacidade das linhas mantendo o sistema em operação. Fernandes lembrou que, ao associar a CICA a cabos de baixa flecha, é possível elevar a tensão das linhas e ampliar a capacidade em até 45% nas estruturas existentes, reduzindo prazos, custos e emissões de carbono. “A recapacitação inteligente reduz em até dois anos o tempo de execução quando comparada a novos empreendimentos, além de cortar emissões e baratear a energia para o consumidor”, afirmou.

Na sequência, Celso Magalhães (CTC Global) apresentou os resultados de projetos com os condutores ACCC® (Aluminum Conductor Composite Core), já utilizados em mais de 20 projetos no Brasil e em 67 países. O núcleo de fibra de carbono padrão aeronáutico garante leveza, alta resistência mecânica e estabilidade térmica, permitindo maior capacidade de corrente com menos perdas e menor necessidade de reforços estruturais. Casos recentes mostraram reduções de até 15% nos custos fundiários e civis em novos traçados, além de ganhos expressivos em recondutoramentos. “Estamos falando de uma tecnologia validada mundialmente, que otimiza investimentos e amplia a confiabilidade da rede”, ressaltou.

Fechando o painel, José Luiz Conte e João de Paula (Alubar) apresentaram os cabos ACFR (Aluminum Conductor Fiber Reinforced), alternativa produzida no Brasil com núcleo de fibra de carbono. Segundo eles, a tecnologia elimina perdas magnéticas, aumenta a resistência à corrosão e permite vencer longas travessias, além de reduzir o peso dos cabos em relação aos modelos tradicionais. Casos como a travessia Guaratuba–Matinhos foram destacados como exemplos de aplicação prática, evidenciando ganhos em eficiência e confiabilidade. “O ACFR é uma solução customizável, já com mais de 20 anos de eficácia comprovada, capaz de atender desde recondutoramentos até linhas novas e travessias complexas”, reforça.

Agência Escola da Energia